O Comando Territorial de Viseu da Guarda Nacional Republicana (GNR) recebeu ontem, dia 4 de dezembro, a visita de Sua Excelência Reverendíssima, D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense. A visita, acolhida na sequência de uma iniciativa do Capelão do Comando Territorial de Viseu, Pe. José Bento, e acompanhada pelo Capelão Adjunto da GNR, Pe. António Borges da Silva, teve como principal objetivo dedicar palavras de conforto, motivação e esperança ao efetivo, além de permitir ao prelado conhecer as instalações e as dinâmicas operacionais e sociais da Unidade.

D. Sérgio Dinis foi recebido pelo Comandante do Comando Territorial de Viseu, Coronel Adriano Resende. Este Comando, que constitui as “raízes vivas” dos 106 anos da GNR no distrito, engloba um efetivo de 945 elementos (896 militares e 49 civis) e exerce a sua missão nos 24 concelhos do distrito, através de 27 Postos Territoriais, além dos Destacamentos.

Durante a visita, o Bispo proferiu uma palestra com o título “Todos somos pobres” (baseada em Dilexi te), na qual abordou as muitas formas de pobreza — material, cultural, espiritual, moral e a decorrente da exclusão — sublinhando a fragilidade como condição humana comum e afirmando que “todos trazemos algum tipo de pobreza”.

O prelado dirigiu uma palavra inicial à GNR, reconhecendo que também nesta instituição existe “pobreza escondida, silenciosa, envergonhada”, tanto nas dificuldades materiais de algumas famílias, como nas fragilidades da vida militar e profissional, como a solidão, o desgaste emocional, os horários severos e os conflitos familiares.

D. Sérgio Dinis salientou a fraternidade como o primeiro antídoto e a proximidade como missão, alertando para a necessidade de “não baixar a guarda diante da pobreza” e de cultivar uma cultura interna de vigilância fraterna.

No segundo ponto, o Bispo focou a missão da GNR no combate às “estruturas de pecado” — como a injustiça organizada, a corrupção e a exploração dos fracos — vendo a GNR como uma presença que desarma o mal social, protegendo os mais frágeis, defendendo quem não tem voz e garantindo a justiça, ordem e segurança.

Sublinhou que a instituição deve ser um espaço de dignidade para todos, promovendo uma cultura de inclusão, e que a autoridade deve ser exercida como um serviço que acrescenta humanidade.

A palestra culminou com uma “palavra de esperança” (Spes non confundit), lembrando que a esperança cristã não engana, mas é força para enfrentar a vida.

O Bispo defendeu a necessidade de uma formação contínua e integral (profissional, ética, moral e espiritual) e encorajou os militares a serem “sinais de esperança” no País, faróis de estabilidade que cumprem a missão com esperança e não com resignação, exigindo paciência e coragem.

Na conclusão, D. Sérgio Dinis exortou os presentes a reconhecerem a própria pobreza sem medo, a cuidarem uns dos outros com coração de irmãos, a servirem o país combatendo o mal estrutural com coragem e dignidade, e a viverem como homens e mulheres de esperança.

No Livro de Honra do Comando, o Bispo deixou registada a sua gratidão e incentivo, referindo:

“No ano jubilar da Esperança, 2025, no dia 04 de Dezembro tive a alegria e honra de visitar o Comando Territorial de Viseu da Guarda Nacional Republicana. Na pessoa do Comandante, sua Excelência Coronel Adriano Resende, deixo uma palavra de alento e incentivo aos mais de novecentos homens e mulheres desta GNR, na minha oração. É uma grande alegria poder estar ao vosso lado mesmo à distância, porque o amor e oração coloca-nos sempre em comunhão. Quero expressar também a minha fraternidade para com todos os que serviram a GNR e agora se encontram na reserva ou reforma e habitam nestes territórios do Comando de Viseu. A Pátria e a GNR não vos esquece e o Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança também vos acompanha. Obrigado pela vida dada e pela entrega sem medida à missão que vos foi confiada. Que Nossa Senhora do Carmo, vossa padroeira, a tudo proteja, assim como as famílias de todos. Com a bênção de Deus.“